Greve dos serventuários: impasse prejudica
população e advogados
Enquanto as negociações permanecem
em impasse, os advogados sofrem com a perda de prazos, além do
não recebimento de autos e petições por causa da
greve dos serventuários, que já dura mais de dois meses.
A OAB/RJ, no dia 14 de novembro, conseguiu uma liminar com o juiz Guilherme
Diefenhthaeler, da 15ª Vara Federal, que determinou que os grevistas
devem manter 50% do pessoal trabalhando, garantindo o atendimento das
demandas urgentes. Se a decisão não for cumprida, o SindJustiça
terá que pagar multa de R$ 10 mil por dia.
No dia 19 de novembro, a Assembléia Legislativa, seguindo a linha
do governo, aprovou um projeto de reajuste de 5% para os servidores.
A decisão contraria o projeto de lei encaminhado ao Legislativo
pelo TJ, que previa um reajuste de 7,3%. Além disso, os deputados
aprovaram que o reajuste será retroativo a setembro, ignorando
a data-base de maio, anteriormente aprovada pela própria Alerj.
Com isso, os serventuários decidiram continuar a greve.
O Sindicato dos Advogados lamenta a postura da maioria dos deputados
que aprovaram o projeto rebaixando o índice de reajuste e ignorando
a data-base. No entanto, com a aprovação da lei com o
índice de 5%, que deverá ser sancionado pelo governador,
o movimento dos serventuários chegou a seu limite, pois em termos
legislativos não há mais nada a fazer. A continuação
da greve, com isso, perde o sentido.
Sindicato pede a compreensão
dos serventuários
Em matéria em seu site oficial, a OAB/RJ, tendo em vista a votação
na Alerj, apela “para que os líderes grevistas não
deixem que a defesa de interesses corporativos, ainda que legítimos,
se sobreponham aos direitos do conjunto da população”.
O presidente do Sindicato dos advogados, Sergio Batalha, em artigo publicado
no jornal O Dia, no dia 13 de novembro, além de criticar a postura
do Tribunal de Justiça por “fingir que a greve não
existe”, também apela para a compreensão dos serventuários,
criticando a ação da greve de impedir os pleitos emergenciais
dos jurisdicionados. Eis um trecho do artigo: “a greve é
um direito constitucional e inalienável de todos os trabalhadores.
No entanto, a greve tem de ser implementada com a garantia do atendimento
às necessidades essenciais da população e, no caso
do serviço público, por um prazo razoável que não
prejudique excessivamente a população que depende destes
serviços” (leia o artigo na página 6).
A atitude do governo do Estado é igualmente inaceitável,
pois sua recusa em negociar com os servidores prejudica toda a população.
Com esse impasse, os prejuízos para os jurisdicionados e advogados
são incalculáveis e se avolumam a cada dia.
O que dizem os advogados
O advogado Leonardo Moreira afirma que a greve já o fez passar
por situações difíceis, mas, segundo ele, “trata-se
de uma situação extremamente compreensível, pois
os serventuários ganham mal e estão, apenas, exigindo
o que lhes é devido”.
Já para a advogada Giselle Vilarinho, “o problema não
é se esta greve é ou não é justa, mas sim
nas dificuldades que ela gera para outros profissionais e para a população
que precisa do serviço”.
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