Greve no Tribunal de Justiça
Ninguém nega a justeza da reivindicação do reajuste
de 7,3% pelos serventuários da Justiça Estadual. Mas acreditar
que esta reivindicação justifica dois meses de paralisação
total do Judiciário carioca, com a suspensão de mandados
de pagamento e até do cumprimento de medidas urgentes, sinceramente,
é de um corporativismo sem par. Seria o mesmo que um advogado
de empresa acreditar que a percepção de um salário
baixo justificaria a perda de prazos processuais ou o não comparecimento
às audiências durante uma greve.
Pior ainda foram os ataques contra a OAB/RJ, transformada em vilã
da greve para o SindJustiça, apenas porque tentou garantir a
sobrevivência dos advogados com a expedição de mandados
de pagamento e cumprimento de medidas urgentes.
A condução desastrada desta greve pelo Sindicato dos Servidores
conseguiu antipatizar o movimento junto aos advogados e à população,
produzindo um efeito contrário ao desejado, pois obscureceu a
conduta irresponsável do governo do Estado na negociação
com os servidores.
Lamentável e preocupante também a postura da Administração
do Tribunal de Justiça, que apoiou a greve com o dinheiro público,
ou seja, fingindo que ela não existia e permitindo a marcação
de ponto pelos grevistas. Se a moda de greve por tempo indeterminado
com pagamento de salário pega, o Judiciário carioca terá
um novo recesso de dois meses a cada ano.
STJ paralisa os processos de 800
trabalhadores
Os advogados que possuem reclamações trabalhistas envolvendo
a sucessora da TV Manchete, TV Ômega Ltda (nome real da REDETV!),
estão se queixando amargamente do Superior Tribunal de Justiça.
É que um Ministro do STJ concedeu uma liminar pedida pela empresa
paralisando os processos de mais de 800 trabalhadores, sob a alegação
de possível conflito de competência com um processo cível
envolvendo uma disputa entre os compradores da concessão e os
antigos donos, a família Bloch.
Os advogados se queixam que a liminar é absurda, contrariando
toda a jurisprudência do próprio STJ sobre tais conflitos,
sendo que o processo se arrasta há mais de um ano, impedindo
o prosseguimento das execuções contra a TV Ômega
Ltda.
Justiça do Trabalho
em ritmo de marcha fúnebre
Um trabalhador ajuizou uma reclamação trabalhista em fevereiro
deste ano e teve sua audiência na 16ª Vara designada apenas
para outubro. Até aí nada demais, infelizmente. Porém,
no dia designado para a audiência foi surpreendido com a informação
de que o juiz estava com um “problema na coluna” e as audiências
seriam adiadas. A nova data designada? Algum dia em maio de 2009. É
por estas e outras que alguns defendem que a correição
anual ordinária do TST em nosso Tribunal vire permanente.
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